Diante da atual conjuntura econômica e política brasileira e da Petrobras, qual o posicionamento logístico de empresas offshore?

Quais são os impactos no plano de investimentos da Petrobras com o desdobramento da atual crise financeira?

Com o atual preço do barril de petróleo no mercado internacional, qual a estratégia da Petrobras para se manter competitiva?

Acompanhe o artigo abaixo e DESCUBRA como a Petrobras desenvolve novos caminhos, investimentos e oportunidades, neste atual contexto:

 

1. BREVE INTRODUÇÃO

A indústria naval está passando por grandes desafios e, para se tornarem competitivas, as empresas tem que investir em pesquisa e gestão. Fonte da imagem: World Maritime News.

 

Este artigo aborda a temática da logística empresarial a partir de uma metodologia essencialmente qualitativa, com o estabelecimento do conceito de logística e cadeia de suprimentos dentro das empresas brasileiras, em termos de relacionamentos logísticos, riscos, poder e liderança de mercado como plano de ação para ultrapassar desafios no mercado offshore.

Levando em consideração as dificuldades de negociação em tempos de crise, algumas questões sobre o tema foram discutidas em termos de conhecimento e, também na prática, durante uma clarificação do exemplo da empresa Petrobras, sob análise.

As conclusões revelam que, apesar de grandes desafios e diversas naturezas de dificuldades enfrentadas pelas empresas, em destaque para as empresas envolvidas na cadeia de produção da indústria naval, a competitividade e a crise financeira de empresas prestadoras de serviço têm crescido fortemente e, merecendo acompanhamento em pesquisa, em relação a questões econômicas e de gestão, para aprendizado mútuo e avanços futuros.

 

2. O POSICIONAMENTO LOGÍSTICO BRASILEIRO DE EMPRESAS OFFSHORE

No segmento offshore, as empresas que dispõem de uma boa logística em suas operações, buscam uma boa estrutura de processos e organizacão para que todas as operações sejam executadas com rapidez para atender a necessidade do cliente num curto prazo. Fonte da imagem: Beniganng.

 

A logística exerce um papel muito importante para as empresas do segmento offshore, que buscam o aumento de qualidade e diminuição de custos nas operações, enfrentando desafios e atuando dentro de um cenário que sofre mudanças constantes devido a avanços tecnológicos, economia, e disponibilidade de recursos.

Com a globalização, a logística reflete uma ideia de gerenciamento, onde é necessária uma cadeia logística dentro das empresas.

A Interdependência Complexa, por exemplo, é uma teoria que descreve esse cenário da logística, pois é uma teoria que favorece a cooperação entre os estados, principalmente através das organizações que buscam se estabilizar.

O grande sucesso de uma empresa se dá devido ao gerenciamento e às decisões estratégicas nos campos organizacional e operacional.

Atualmente as empresas oferecem um serviço logístico moderno de grande qualidade, e isso depende de uma excelente organização na execução do processo.

Alcançar o objetivo final é um fator estimulante, sendo necessário que haja uma boa organização e gestão, para se ter bons resultados e obter respostas rápidas e positivas em relação ao que o mercado exige. (FLEURY, 2000)

Diversos objetos descrevem diferentes operações e setores dentro de uma empresa offshore e alguns serviços como: processamento de pedidos, estoques, transporte, armazenamento, execução, manuseio de materiais, dentre outros, são fatores que compõem a logística de empresas que buscam agir de forma integrada para atender a necessidade de seu cliente final. (BOWERSOX, 2007).

Considerada a maior companhia petrolífera brasileira, a Petrobras sofreu, nos últimos tempos, uma grande crise financeira e, em decorrência, teve que cortar vários planos de investimentos, afetando outrossim a competitividade.

Com a globalização, muitas empresas adquiriram retrocesso devido a essa competitividade e à atual crise financeira no Brasil, consequentemente muitas empresas vêm tentando ampliar cada vez mais suas relações com parceiros nacionais e internacionais, e esses são alguns fatores que geram dificuldades, uma vez que o principal cliente dessas empresas é a Petrobras [1].

Segundo Fleury (2000), a logística precisa atuar em antecipação à demanda, atuando na produção e colocando o produto certo no local certo, no momento exato e com um preço justo. Ele analisa a necessidade das empresas em dispor de tecnologias muito caras e sem viabilidade econômica em épocas de preços baixos, e também a questão do marketing e da competitividade, que são fatores agressivos no mercado internacional.

Bowersox (2007) enfatiza que para se ter excelência nas operações logísticas, as empresas devem ter planejamento eficaz, e utilização de um banco de dados compartilhados para coordenar as necessidades de estoque em diversas locações ou etapas da cadeia logística.

O planejamento coordena as necessidades do estoque e a entrega aos destinatários.

Os sistemas ERP proporcionam às empresas uma ferramenta para englobar diversas informações em diferentes momentos, sempre proporcionando rapidez na troca de informações. Nesse sentido:

 

A logística deve ser vista como um instrumento de marketing, uma ferramenta gerencial, capaz de agregar valor por meio de serviços prestados. Para aprofundar o entendimento desse conceito, nada melhor do que examinar dois exemplos, um de uma empresa nacional, outro de empresa estrangeira, ambas reconhecidas pela eficácia de suas operações logísticas, que funcionam como instrumento central de suas estratégias competitivas. (FLEURY, 2000, p. 31)

 

Logo, para que o planejamento do processo logístico seja rápido e eficaz, deve haver uma combinação no sistema de informação, a partir disso é possível alcançar a capacidade de resposta.

Consequentemente as empresas otimizam o desempenho no mercado internacional, e adquirem a satisfação de seus clientes.

Bowersox (2007) faz uma síntese sobre a questão da tecnologia da informação no ambiente logístico, a logística engloba a armazenagem e o fluxo de produtos.

Dentro desse processo a informação é algo primordial para o aumento da flexibilidade, onde o aumento da troca de informações facilita a colaboração e redefine os relacionamentos na cadeia logística.

A tecnologia da informação promove à logística uma grande modernização no que diz respeito a sua estrutura, e consequentemente traz fortes avanços na integração de informações.

 

A capacidade de uma empresa satisfazer as necessidades do cliente de modo oportuno é denominada capacidade de resposta. (…) A capacidade de resposta serve para transferir a ênfase operacional da previsão de necessidades futuras para o atendimento aos clientes através de um ciclo rápido do pedido até o embarque. (BOWERSOX, 2007, p. 208)

 

As empresas que dispõem de uma boa logística em suas operações, buscam uma boa estrutura de processos e organizacional para que todas as operações sejam executadas com rapidez para atender a necessidade do cliente num curto prazo. (BOWERSOX, 2007)

Fleury (2000) faz uma síntese bastante significativa no que diz respeito ao gerenciamento eficaz. Ele cita ferramentas sistêmicas e operacionais que cooperam para a boa execução do sistema logístico integrado:

 

Objetivando gerenciar eficazmente essa crescente complexidade, as organizações logísticas têm buscado maior sofisticação tecnológica. As maiores oportunidades encontram-se nas tecnologias de informação, que envolvem tanto hardware, quanto software, e tem aplicações tanto no fluxo de dados e informações, quanto nas operações de transporte e armazenagem. (FLEURY, 2000, p. 137)

 

Portanto, no exemplo Petrobras, é nítido que a empresa ainda enfrenta dificuldades devido à atual relação de preços entre o petróleo [2] e o gás tornando a indústria nacional ainda mais competitiva.

Por um lado, esse fator assusta as empresas prestadoras de serviço, doutro lado, expressa agregação de valor, pois algumas iniciativas do atual momento se enquadram no sentido de profissionalização e atendem às solicitações frequentes do mercado.

 

3. GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS

Para alcançar novos contratos e mercados as empresas do segmento offshore devem dispor de fortes estratégias logísticas e comerciais. Fonte da imagem: Construction Enquirer.

 

Os relacionamentos logísticos são fundamentais para o êxito das operações logísticas empresariais.

As empresas do segmento offshore possuem grande responsabilidade no desempenho e nos resultados alcançados ao longo dos anos, por isso, na atual crise financeira no Brasil, as ações logísticas e comerciais dessas empresas devem dispor de fortes estratégias.

O posicionamento logístico de muitas empresas se dá de forma dinâmica, sendo impulsionado por um fluxo constante de informações e recursos, atrelado a um lead time para que seja atingido o objetivo final da empresa, qual seja, superar as dificuldades enfrentadas pela crise financeira, superar os concorrentes e atender às necessidades do cliente final.

Quanto à tomada de decisão na Gestão da Cadeia de Suprimentos a estratégia se divide em três níveis:

  • estratégico,
  • tático e
  • operacional.

O nível estratégico se refere a tomada de decisões que impactam o longo prazo de uma operação. O  nível tático se refere a tomada decisão de médio prazo. Por fim, o nível operacional está ligado à tomada de decisões de curto prazo.

Sendo assim, entende-se que essas empresas ao desenvolverem suas estratégias, processos e sistemas que potencializam sinergias e exemplifiquem as atividades da cadeia logística, permitem ter uma melhor administração de todos os elos da cadeia de prestação de serviços, onde a mesma pode se tornar mais eficiente e competitiva e se sobressair entre as demais nos tempos de crise.

O site DW divulgou recentemente uma matéria com resultados obtidos ao longo dos anos, informando que o Brasil aumentou significativamente o seu volume de produção do setor offshore e que, de 2013 a 2015 passou de 2,6 para 3 milhões de barris por dia.

Segundo dados da OPEP, em 2015, um total de 72 novos poços entraram em função, depois de 87 em 2014.

Todavia com a demanda média por petróleo da OPEP para o primeiro semestre de 2017 prevista de 32,63 milhões de barris por dia (bpd), o relatório indica que haverá um excedente médio de 1,24 milhão de bpd, se a OPEP mantiver a produção estável.

O Brasil tornou-se líder na exploração offshore em águas ultraprofundas, e foram descobertas grandes quantidades de petróleo no chamado pré-sal, camadas rochosas a uma profundidade de quatro a oito quilômetros.

Uma questão crítica ocorrida foi o declínio da arrecadação motivada preço decrescente do barril e a crise protagonizada pela Petrobras, que trouxe questões críticas para o setor, que representava 20% do PIB do Estado (antes da recessão).

Um exemplo a ser citado é a situação vivenciada pelo governo do estado do Rio de Janeiro, que agiu de forma equivocada ao manter uma base orçamentária que dependia das receitas oriundas dos royalties do petróleo.

Esse declínio ocasionou muitos problemas financeiros para empresas desse segmento, porque tiveram inúmeros contratos cancelados e atrasos de pagamentos.

Atualmente os benefícios associados aos bons relacionamentos logísticos e colaboração não são visíveis de forma imediata devido à crise financeira que assola a economia do País. Porém, esses relacionamentos atraem potenciais recompensas de longo prazo e podem ser classificados como eficiência operacional, melhora no desempenho e melhores resultados financeiros no futuro.

Segundo Bowersox (2007), para firmar bons relacionamentos logísticos, nos últimos anos, ocorreu um aumento de poder no ambiente empresarial nacional e internacional, isso resultou em grandes avanços relativamente independentes. As empresas dispõem de profissionais que viajam ao exterior para desenvolver relações comerciais. Esses profissionais participam de feiras e workshops, vendem a sua marca, estreitam o relacionamento, e conhecem a real necessidade do cliente. O poder é uma arma para dominar os mercados.

 

3.1) Relacionamentos Logísticos, Qualidade nas Operações e Redução de Custos

O planejamento estruturado, a redução de custos e o marketing são a chave do sucesso para o relacioanamento logístico nas empresas offshore.Fonte da imagem: The Change Leader.

 

As empresas offshore que prestam diversos tipos de serviços para a Petrobras buscam qualidade e crescimento.

A produção offshore demanda grandes investimentos em infraestrutura produtiva e em tecnologia, na medida em que a indústria avança para a exploração e produção de petróleo em águas mais profundas, novos equipamentos, métodos e técnicas de se explorar e produzir petróleo e gás são requeridos.

Segundo matéria do site Ilos, a logística de apoio offshore é uma inovação dentro deste segmento, e vem se tornando uma nova área atuante, pois as empresas de exploração e produção de petróleo demandam elevados níveis de serviço das atividades de suporte à operação, necessitando de uma logística específica e aplicada.

Essa logística se dá devido aos impactos causados por possíveis falhas na logística da operação como, por exemplo, redução da produção e atraso no cronograma de perfuração de um determinado poço.

Conforme matéria do site Marintech South America, a busca por redução de custos nas operações logísticas é outro fator considerável.

As empresas precisam garantir lucro e reduzir custos e falhas, por isso seguem interessadas em atrair capital estrangeiro para sustentar o ambiente de inovação e investimento do setor naval e offshore. O sentimento é de que a crise é momentânea.

A excelência em relacionamentos logísticos também ocorre quando há redução de custos e bons resultados financeiros esperados e alcançados.

Sendo assim a retenção do cliente promove o aumento de receita, a partir da contratação de novos serviços, e o aumento da credibilidade e rentabilidade, à medida que fica mais fácil atendê-lo e não há necessidade de dedicar propostas de negociação e redução de custos.

Além disso, o cliente pode se tornar um defensor do prestador de serviços, trazendo novos negócios e propostas de inovação para aumentar a sua participação no mercado e obter investimentos.

Atualmente, a Petrobras está saindo de uma situação de monopólio do mercado de exploração, produção, refino, comercialização, importação e distribuição (excluindo postos de gasolina) de petróleo e derivados, para uma situação de livre concorrência, em virtude da Lei 9.478 de 1997 [3].

Nas operações logísticas, é necessário prever os riscos que podem ocorrer no andamento de uma operação.

As empresas devem reconhecer que têm a responsabilidade no desempenho de papéis específicos, e também precisam acreditar que seus negócios serão melhores em longo prazo como resultado da colaboração, dispondo de uma equipe que estude bem todas as possibilidades de falhas e riscos, o que é muito importante para enfrentar o momento atual.

Segundo o site Ilos, a logística de apoio offshore pode ser dividida em três tipos de operações:

  • a Logística de Cargas, que engloba o processo de movimentação de cargas necessárias para a operação de perfuração e produção das unidades marítimas,
  • a Logística de Passageiros, que engloba a movimentação de pessoas entre o continente e as unidades marítimas, sendo realizada por helicópteros e com grande foco na segurança operacional, e
  • a Logística de Passageiros, que engloba a embarcações que prestam serviços para as unidades de produção e perfuração. Esses serviços variam desde movimentação de âncoras e unidades até combate a incêndios ou vazamentos de óleo.

 

Tabela de Diferenciação de Transporte e Serviços. Fonte da imagem: Ilos.

 

Na busca pela liderança de mercado a questão fundamental é o relacionamento e, para que se tenha bons relacionamentos logísticos, a presença do marketing – que engloba fatores específicos como: produto, preço, promoção e praça – é mandatória para que a empresa atinja seus objetivos no mercado alvo.

Para obter sucesso em relacionamentos logísticos com qualidade e redução de custos em suas operações logísticas, as empresas offshore devem dispor de um planejamento estruturado, a fim de controlar toda a operação e identificar se o processo está sendo efetivado de acordo com o planejado.

Para auxiliar nesse controle, a área de Planejamento deve controlar as interfaces entre as etapas, sendo a operação responsável por identificar a causa raiz do não cumprimento do planejado.

É muito importante que a área de Planejamento e Controle garanta a integração e sincronização de todos os elos da cadeia e que consiga estruturar os processos para atendimento dos diferentes tipos de cargas.

 

Canais ligados às operações de apoio offshore. Fonte da imagem: Ilos.

 

A venda é uma parte minúscula do marketing, não adianta fazer o marketing. Tem que ter aonde executá-lo.

Incluindo nesse contexto as empresas brasileiras que exportam granito, é importante ressaltar que todas elas dispõem de estratégias de marketing para alcançar diferentes países.

Etapas como: fabricar, armazenar, estocar, negociar, acompanhar a venda, e concluir a execução do serviço são fatores que compõem a excelência de uma operação logística.

Se uma empresa deseja ter lucro qualidade e redução de custos é necessário saber investir, organizar suas operações, dispor de um excelente ciclo logístico; uma boa administração de seus recursos, e ter velocidade nas informações para concluir toda a operação, e com isso atender o cliente final com total segurança, presteza e legitimidade. (BOWERSOX, 2007)

 

3.2) A Crise Financeira no Brasil: Riscos, Poder e Liderança de Mercado

A falta de credibilidade em nosso País, aliada a atual crise financeira e instabilidade política impacta os investimentos estrangeiros e também nacionais. Fonte da imagem: Conversation Agent.

 

A logística empresarial no Brasil é um conceito bastante recente, tendo sido difundido no início da década de 90, ainda que tímido, com o processo de abertura comercial e sofrendo aceleração a partir de 1994, com a queda da inflação propiciada pela estabilização econômica do Plano Real (FLEURY; WANKE; FIGUEIREDO, 2000).

A importância de analisar os fatores que levaram o Brasil a enfrentar essa crise decorre do fato que, após esse evento, as empresas do setor em estudo passaram a enfrentar graves riscos financeiros [4].

Bowersox (2007) defende que as operações globais e as dificuldades financeiras aumentam o custo e a complexidade da logística de uma empresa.

Essas complexidades são caracterizadas por incertezas e maior variabilidade e menor visibilidade.

Estratégias logísticas podem ser consideradas como planos de ação para se ultrapassar desafios no mercado e a coordenação das empresas deve considerar alguns fatores importantes para se ter êxito em suas operações logísticas: a integração dos sistemas de informação, a duração do ciclo das atividades, o transporte, questões operacionais, e as alianças acordadas entre parceiros; porém sem saldo para tocar suas operações, as empresas correm sérios riscos de declinarem dessas atividades e perderem espaço no mercado.

Recentemente o site Empreendedores Web discutiu alguns fatores em uma matéria sobre a crítica situação financeira do País. O texto relata que a falta de planejamento estratégico de longo prazo para a economia nacional reflete em um dos principais fatores que levou o Brasil a essa crise financeira.

 

Atualmente o Conselho Nacional de Política Enérgica (CNPE) informa que serão realizados leilões das áreas de exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil para os próximos três anos (2017 à 2019).

É de grande importância que a indústria petrolífera tenha uma extensão em sua estrutura atual, pois os modelos econômicos atuais de participação no leilão estão contemplando a extensão do prazo.

O site Macaé Offshore cita que até hoje a redução esperada nos investimentos da indústria de petróleo no Brasil, ainda sentem os efeitos da crise econômica e que os preços da commodity em baixa vão exigir que algumas demandas do setor privado sejam atendidas com mais urgência, sob pena de haver problemas na produção no futuro. Cita ainda que a crise em diversos âmbitos vivida pela Petrobras está repercutindo no setor e impactando os investidores.

Segundo Bowersox (2007), nos últimos anos ocorreu um aumento de poder no ambiente empresarial, isso resultou em grandes avanços relativamente independentes.

 

Plataforma flutuante P-26, da Petrobras, no campo Marlim Sul. Fonte da imagem: DW.

 

Dentre as dificuldades ainda enfrentadas pela Petrobras, nada obstante alguns investimentos e projetos iniciados em 2017, estão os recorrentes pedidos de aumento dos preços dos derivados de petróleo.

Esses pedidos são realizados com o objetivo de dar mais força ao caixa da companhia, também geram intensos debates no Governo, em função do risco de aumento da inflação que a subida do preço do petróleo pode causar, acarretando um declínio maior do setor offshore. Ou seja, existe uma certa incerteza e, ainda se discute muito sobre a hipótese de uma reestruturação do setor.

 

3.3) Competitividade: Dificuldades Financeiras e Falta de Investimentos

O aumento da competitividade global, as incertezas e riscos em relação aos investimentos no Brasil, afeta diretamente as empresas offshore brasileiras. Fonte da imagem: Entrepreneur.

 

A competitividade e as incertezas em relação ao plano de investimentos da Petrobras são fatores que geram preocupação, muito embora o potencial de recuperação da empresa seja notório, uma vez cessados os fatores que a levaram à crise.

A competitividade [5] é uma problemática bastante discutida nesse mercado.

Muitas empresas se deparam com este problema e não estão conseguindo suportar a pressão, enquanto isso, outras buscam planos de ação para combater esse problema e permanecer no mercado.

Além do benefício de contar com importante fonte de energia, a produção de petróleo exige grande volume de investimentos para a exploração das reservas.

Neste sentido, governos tendem a estimular a demanda local mediante políticas de exigências de conteúdo local.

Este cenário sinalizava grandes oportunidades para a cadeia de fornecedores locais da indústria.

Ao mesmo tempo, tendo em vista ser esta uma cadeia global, estes mesmos fornecedores enfrentavam significativos desafios competitivos (preço, tecnologia e qualidade) em relação às empresas internacionais.

Segundo Tanure (2005), para lidar com a competitividade é necessário saber lidar com a incerteza, e também saber diferenciar incerteza de ansiedade; pois o sentimento e as formas de enfrentar a incerteza fazem parte da herança cultural de uma sociedade e isso pode causar problemas sérios na estrutura das empresas.

Toda empresa deve estar economicamente e logisticamente estruturada para lidar com a competitividade. Uma pequena falha pode gerar sérios problemas e acarretar em falhas maiores e até falência.

Com análise mais pessimista, o site GGN afirma que as empresas do segmento offshore ainda enfrentam um momento de muitas incertezas, depois que a Petrobras, responsável por 70% a 80% das encomendas, começou a cortar investimentos.

Por essa razão as prestadoras de serviço estariam com dificuldades para obter recursos devido à falta de pagamento do principal cliente.

Segundo o presidente da Federação da Indústria do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, os contratos de muitas empresas entraram neste ano em fase final. E, sem novas encomendas, o setor tende a parar.

A consequência principal do declínio de algumas empresas prestadoras de serviço é uma completa desmobilização de toda a cadeia de fornecedores, com implicações sérias no desemprego e na renda nas regiões afetadas, além de uma drástica revisão das metas de produção de petróleo para 2020.

Segundo o website Estadão, em 2016, cerca de 20 mil trabalhadores já foram demitidos no setor naval brasileiro.

Um caso bastante crítico foi o fechamento do Estaleiro Eisa, localizado no Rio de Janeiro, que recentemente declarou falência, demitindo mais de três mil funcionários, encerrando suas operações e fechando suas portas devido à falta de capital para dar seguimento nas construções navais, em decorrência da falta de pagamento das empresas.

Diante desses fatos, é possível enxergar que a competitividade é uma questão que afeta diretamente as empresas offshore brasileiras.

Além da competitividade que essas empresas enfrentam nacionalmente, elas ainda enfrentam internacionalmente devido a globalização e a dificuldade na abertura de novos mercados.

Logo é possível se ver o desequilíbrio e falta de recursos para a finalização das operações dos contratos (CUNHA, 2003).

Bowersox (2007), sintetiza que a competitividade também está associada a questões econômicas [6], ele afirma que o custo total de uma operação abre as portas para a avaliação de como os custos funcionais se relacionam e causam impacto um no outro.

Essa afirmação tem total coerência com a competitividade entre as empresas offshore, pois reflete a ideia de que para lidar com a competitividade, a empresa necessita de capital para se estabilizar em um ambiente bastante competitivo.

A busca por fornecedores de baixo custo é um fator que comprova isso, pois muitas empresas oferecem serviços de qualidade e inovadores, mas acabam se deparando com um mercado com dificuldades em arcar com custos crescentes.

Bowersox (2007) afirma que o aumento da necessidade de competitividade global está impulsionando as empresas, e existem muitas justificativas para esta afirmação, tais como: crise financeira, dívidas internas e externas, dentre outros.

 

4. SURGEM DUAS HIPÓTESES: SUPERAÇÃO E/OU DECLÍNIO DAS EMPRESAS?

O declínio do setor de petróleo e gás no Brasil é um desafio que somente será superado com melhorias em todos os aspectos de excelência de processos, logística, negociações, desde a estruturação de negócios até a superioridade tecnológica e gestão de projetos e segurança. Fonte da imagem: YP.

 

Está claro que os royalties são um grande trunfo para a economia do País devido à exploração de recursos naturais.

Geralmente, existe uma cobrança de 10% de royalties da produção de petróleo e as receitas são distribuídas com União, Estados e Municípios produtores ou afetados pela produção.

O ideal seria que os Estados e os Municípios fizessem algo para ter recursos num cenário pós fim do petróleo, porém é uma questão mais institucional de fundo que não foi resolvida para os Estados e Municípios produtores. Também se trata de uma questão muito frágil no nível federal.

A solução passa pela adoção de regras de poupança automática, limitadores no que se pode gastar no ano corrente, e aplicação de recursos com transparência e participação de diferentes setores da sociedade.

Frequentemente a questão da alocação de recursos acontece quando se busca uma solução para a indústria de petróleo a medida que as circunstâncias mudam.

O grande desafio é evitar focar apenas no aspecto humano, seja em suposições, estrutura e competitividade de mercado, e comportamento das empresas.

Uma significativa mudança estrutural pode causar desaparecimento de negócios anteriormente muito estáveis.

A oferta do petróleo superior à demanda, além de questões ambientais e geopolíticas, explica a volatilidade dos preços atuais, pois o mundo tem mais petróleo do que precisa.

Obviamente que é particularmente desafiador para a Petrobras e para as empresas prestadoras de serviço de grande escala, e antes intensivas em capital, sofrerem consequências. Mas o ciclo prossegue e a competitividade aumenta, logo surge o questionamento: Haverá uma saída?

Sobre a hipótese de uma superação, existem pontos-chave a discutir, metas a traçar e resultados a obter:

 

  • A demanda futura de petróleo e gás é incerta, reduzindo a alavancagem das empresas de petróleo e gás ao crescimento econômico.
  • As empresas terão que gerar o seu próprio crescimento, buscando inovações e novos caminhos.
  • As companhias petrolíferas nacionais controlam o acesso à maioria das reservas concorrentes, logo precisarão rever muitos pontos.

 

Serão necessárias melhorias em todos os aspectos de excelência de processos, logística, negociações, desde a estruturação de negócios até a superioridade tecnológica e gestão de projetos e segurança.

Logo as empresas se encontram em uma situação onde é preciso livrar-se das percepções de atividade em risco e montar uma nova estrutura de alto nível para alavancar este segmento. Caso contrário, o declínio pode ser rápido e fatal.

 

4.1) Superação: Logística de apoio Offshore, excelência em tecnologia e ganhos rápidos

As empresas precisarão de uma boa logística de apoio offshore, pois cada vez mais as empresas de exploração e produção de petróleo demandam elevados níveis de serviço das atividades de suporte às suas operações. Fonte da imagem: Royal Artic Line.

 

A Petrobras busca novos rumos para suas operações, a empresa segue na busca por novos investimentos para dar continuidade em suas operações, com ar de otimismo, apesar dos desafios.

Para que aconteça uma superação desse atual cenário de crise financeira e dificuldades a empresa precisa de apoio para driblar as dificuldades e obter lucro e ganhos rápidos.

O site GGN divulgou recentemente que o problema é mais grave no Rio de Janeiro, que é responsável por mais da metade da produção naval nacional, abrigando 22 estaleiros e mais de 260 empresas na cadeia produtiva da Petrobras.

Os atrasos na execução dos contratos preocupam.

Um exemplo citado foi a empresa norueguesa Seadrill, perfuradora de poços, que anunciou recentemente que retirou de sua carteira de projetos dois contratos no valor total de US$ 1,1 bilhão com a Petrobras, por acreditar que os termos dos acordos não serão cumpridos pela estatal.

Para dar andamento às suas operações, muitas empresas precisarão de uma boa logística de apoio offshore, pois cada vez mais as empresas de exploração e produção de petróleo demandam elevados níveis de serviço das atividades de suporte às suas operações.

Isso é consequência dos impactos que falhas no processo logístico podem causar ao sistema, como, por exemplo, paradas de produção e atraso no cronograma de perfuração de determinado poço, ou seja, mesmo com as dificuldades a operação não pode parar.

O site Ilos cita a tecnologia presente na cadeia de apoio Offshore como uma ferramenta muito importante, logo se pode diferenciar a necessidade de um bom sistema em duas categorias.

Primeiramente a tecnologia presente dentro da empresa, considerada intraorganizacional a qual destaca os avanços de processos descritos no tópico anterior, como sistemas que dão suporte à Gestão de Demanda, à Gestão de SKU’s e à Gestão de Suprimentos e Operações.

Neste contexto, os sistemas não são difundidos hoje na cadeia e os processos muitas vezes são realizados manualmente, aumentando a possibilidade de falhas e reduzindo a performance do processo.

Em segundo, a tecnologia atuante em mais de uma unidade da empresa, otimizando e integrando com a informação, para ampliar a cadeia logística a partir da troca de informações entre as empresas prestadoras de serviços (operadoras, fornecedores de materiais e serviços, transportadoras, entre outros).

O papel desse sistema é melhorar a comunicação e evitar falhas e perdas na transmissão da mensagem, propondo rapidez na informação e padronizando os dados transmitidos.

É importante citar o planejamento estruturado, onde o controle da operação é monitorado todo tempo, sendo possível identificar se uma ordem está sendo processada conforme o planejado.

Ainda, que a área de Planejamento acompanhe e controle as interfaces entre as etapas, sendo a operação responsável por identificar os reais motivos do não cumprimento do planejado, para que não haja prejuízos financeiros e problemas futuros.

 

Diagrama com pontos a serem analisados para definir qual etapa da cadeia não está atendendo ao planejado. Fonte da imagem: Ilos.

 

De fato, em tempos de crise, procurar mercados que ofereçam serviços com custo menor pode ser uma estratégia a ser adotada, apesar de haver como argumento buscar praças que garantam a prestação de serviços em prazos menores.

A Petrobras deseja reduzir os custos de aluguéis, serviços e até mesmo de multas por rompimento contratuais. A busca por redução de custos é a principal alternativa para que o processo se converta em ganhos rápidos para a empresa, o que motivou, segundo o site Uol, o início de uma nova rodada de negociações de contratos com seus fornecedores.

Esse projeto foi nomeado “Onda 3”, que será um processo que vai priorizar novamente empresas de sondas, aeronaves e embarcações de apoio a plataformas.

Tais planos demonstram a busca de novos rumos para garantir ganhos rápidos e excelência nas operações desses três segmentos específicos.

 

4.2) Declínio: Uma análise crítica do atual cenário do mercado Offshore

A Petrobras será responsável por cerca de 80% da produção de petróleo no País e hoje é reconhecida por seu domínio tecnológico na exploração offshore, sobretudo em águas profundas e ultraprofundas. Fonte da imagem: NPR.

 

A Petrobras continua sendo a maior produtora de petróleo no Brasil, e será responsável, no longo prazo, por cerca de 80% da produção de petróleo no País.

Historicamente, a Petrobras tem investido significativamente em P&D e hoje é reconhecida por seu domínio tecnológico na exploração offshore, sobretudo em águas profundas e ultraprofundas.

A indústria do petróleo é caracterizada pelos elevados níveis de certificação e qualidade requeridos nas suas atividades.

Para atender a esses requisitos técnicos, as empresas fornecedoras deste segmento precisam priorizar a qualidade e a segurança das soluções.

Além disso, a produção de petróleo e gás em águas profundas e ultraprofundas demanda dos fornecedores investimentos contínuos em inovação, a fim de aperfeiçoar ou introduzir no mercado novos equipamentos para exploração e produção de óleo e gás em ambientes altamente complexos e desafiadores.

Nos últimos anos o preço do petróleo caiu muito e, o setor começou a enfraquecer e já não agrega como antes para a economia.

Em 2014, época de ainda grandes ambições, o Brent superava os 100 dólares, atualmente (em Abril de 2017) com o barril de petróleo cotado em torno de US$ 54,20, ainda se espera muito um avanço no custo.

Recentemente, a Petrobras anunciou um novo corte em suas pretensões de investimento, agora fixados em 98 bilhões de dólares até 2019.

Quando a versão original do Plano de Negócios 2015 a 2019 ficou pronta, em junho de 2015, os aportes haviam encolhido e somavam 130 bilhões, uma fase difícil para a empresa e para seus prestadores de serviço.

A retração na maior empresa brasileira abala toda a economia, traz grande preocupação para as empresas prestadoras de serviço, forte índice de desemprego, títulos em aberto, contratos cancelados, outros não renovados, dentre outros problemas provenientes da crise financeira e deste declínio do setor offshore.

O site Carta Capital divulgou recentemente que, em defesa da companhia brasileira, as petroleiras do mundo todo têm sido forçadas a se ajustar à nova realidade do petróleo, considerando um certo declínio no setor devido à crise financeira.

Um forte declínio foi identificado a partir de 2014 mostrando a necessidade de novas estratégias para o futuro dessas empresas, de novos rumos ao no valor da commodity.

Foram cancelados 380 bilhões de dólares em investimentos, onde 44% sairiam do papel de 2016 a 2020, informa um relatório recente da consultoria Wood Mackenzie, especializada em energia e mineração.

Também, desde 2014, o setor demitiu 260 mil trabalhadores, aumentando o índice de desemprego, competitividade e pobreza.

Com a drástica redução da margem de lucro de seu principal produto, a empresa tenta buscar saídas.

Algumas certezas do setor começam a ser questionadas mais fortemente, como a política de conteúdo nacional para a indústria petrolífera, que o governo insiste em não alterar significativamente, argumentando que ainda é preciso “proteger” as empresas nacionais.

Existe sim uma perspectiva de melhoria mediante a implementação de planos de incentivo baseados em operações passadas que tiveram êxito, todavia existe uma interrogação neste processo.

 

4.3) Análise de antigos planos de incentivos para mudar o rumo das empresas

O Brasil cresceu com a demanda de operações realizadas pela cadeia de apoio Offshore. Para buscar novos rumos, as empresas devem dispor de planos de incentivos que tragam uma solução para conseguirem se manter atuantes. Fonte da imagem: Equilar.

 

O Brasil conquistou um grande espaço e uma excelente economia devido ao setor e cresceu muito ao longo dos anos com a grande demanda de operações realizadas pela cadeia de apoio Offshore, a qual promove a organização, o equilíbrio e a excelência na disponibilidade de materiais nas unidades marítimas, respeitando a ética e os prazos estipulados, considerando a devida documentação e oferecendo o melhor custo, para que o processo principal de exploração e produção de petróleo pudesse crescer cada vez mais, desde os anos noventa.

Ao longo dos anos essas operações se solidificaram através de parcerias com a Petrobras sob a gestão de contratos de 3 a 5 anos e se estruturaram através da prestação de serviços a longo prazo em diferentes áreas deste segmento, o qual conta com cerca de 700 empresas atuantes, considerando o fornecimento de materiais e serviços que possuem graus de desenvolvimento diferentes.

Ou seja, não há uma uniformidade nas práticas de operação logística entre as empresas desta cadeia.

Atualmente a Petrobras persiste em se colocar de forma segura como uma empresa que busca novos horizontes, destacando essa questão como uma fase ruim que foi causada exclusivamente pela queda do preço médio do barril de Brent.

A Petrobras ainda se mantém como referência internacional para os operadores no mercado de petróleo, que passou de 98,99 dólares em 2014 para 52,4 dólares em 2015, essa queda gerou declínio na economia e afetou petroleiras no mundo inteiro, em especial as latino-americanas.

A forte queda do real em relação ao dólar, proporcionou um cenário mais fraco e deteriorado, e levando diversas empresas ao fracasso.

Segundo matéria do site “El País”, além da perda de investimentos, imagem denegrida internacionalmente e quebra de grande volume de contratos com empresas prestadoras de serviço, a Petrobras sofreu as consequências da decisão das três principais agências de risco, que, a partir de setembro de 2015, rebaixaram o grau de investimento do Brasil.

Por isso a empresa vem pagando mais para captar financiamento no mercado para empreender ou dar continuidade aos seus projetos.

Visando estabilizar a empresa e superar a crise, o plano de negócios e gestão para os anos de 2017 até 2021 prevê investimentos de US$ 74,1 bilhões, sendo 82% deste valor para a área de Exploração e Produção.

Nas demais áreas de negócios, os investimentos destinam-se, basicamente, à manutenção das operações e a projetos relacionados ao escoamento da produção de petróleo e gás natural.

Segundo site G1, o novo presidente da Petrobras citou em recente entrevista que a melhoria da situação financeira da empresa passa pela venda de ativos e que ela tem que trabalhar com seus “próprios meios”, indicando que não deve haver capitalização por parte do governo federal.

A estatal demonstra o atual foco como principal meta e um dos focos apresentados é um programa de desinvestimentos, que tem metas de obter vendas de ativos de mais de US$ 14 bilhões até o final do ano, v.g. a negociação para a venda de filiais que mantinha na Argentina e no Chile, que possivelmente deve levantar cerca de US$ 1,4 bilhão para o caixa da petroleira.

As empresas prestadoras de serviço estão à procura de novos rumos, devido a um mercado cada vez mais carente de projetos inovadores e investimentos dentro de um contexto empresarial que exige novas habilidades para que elas possam se sobressair diante da constante evolução que se faz presente nesse cenário de dificuldades.

Como elementos a considerar nesse cenário temos ainda a necessidade de reconstrução da marca perante o mercado; a busca de soluções alternativas para escoamento da produção ou fornecer produtos para segmentos que até então não eram o foco das iniciativas comerciais da empresa. Enfim, buscar, pela mudança de foco da extração (cara) para investimento em tecnologia e refino visando baratear o custo de produção e garantir fatias de mercado diante da inovação do gás de xisto.

Quanto a este último, poderá mudar o panorama geopolítico e energético nos próximos anos (pois tem sido visto com entusiasmo pelo mercado norte-americano como a grande possibilidade de autonomia energética daquele país, tendo em vista se tratar de um verdadeiro salto energético e tecnológico).

Com relação às alternativas para escoamento dos produtos, foi medida adotada por algumas empresas prestadoras de serviços para a própria Petrobras (mudar a fabricação de navios para a indústria offshore e construir navios para outras indústrias, passar a investir na comercialização internacional de produtos com países vizinhos e com os quais o País possui acordos de comércio e etc.).

Neste ponto, cabe mencionar a necessária mudança na forma de produção e o aperfeiçoamento tecnológico aliado ao uso racional e sustentável de nossos recursos naturais para suportar o impacto da produção de gás de xisto que pode conceder independência energética aos Estados Unidos da América, desencadeando crise comparável à vivida pela Venezuela, que possui uma das reservas energéticas mais ricas do mundo em seu território e, no entanto, não consegue reverter essa riqueza em prol de seu povo. Essa é uma tragédia que precisa ser evitada a todo custo.

Sobre os planos de incentivo, entende-se que todo o cenário offshore precisa de uma reestruturação para conseguir voltar ao sucesso alcançado alguns anos atrás.

Um fator muito importante que deve estar presente na gestão das empresas é o sincronismo, que fortalecerá o desenvolvimento da cadeia logística, reduzindo os problemas e questões entre os processos internos, melhorando a comunicação entre as empresas com seus parceiros, e melhorando a capacidade de manter a ordem e coerência nas operações, proporcionando o fluxo constante da qualidade para o cumprimento dos contratos, considerando prazos, metas, expectativas e lucro.

 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

As empresas offshore no Brasil enfrentam uma forte crise e grandes dificuldades em manter-se no mercado. Fonte da imagem: Bloomberg.

 

As considerações finais deste artigo destacam o posicionamento logístico brasileiro e sua atuação dentro das empresas, e mostra que durante todos esses anos a logística obteve um amplo desenvolvimento em sua estrutura.

No Brasil, o ambiente econômico e empresarial tem passado por grandes transformações, e consequentemente, as operações logísticas têm se tornado mais complexas, sofisticadas no campo tecnológico e mais importantes no campo estratégico, gerando uma grande competitividade entre diferentes mercados.

Essas transformações podem ser o trampolim para a reconstrução da marca da Petrobras perante o mercado, utilizando-se de sua reconhecida qualidade de inovação e capacidade de superação.

Dentre as inovações inexoráveis no contexto petrolífero, temos inegavelmente o gás de xisto; gás não convencional, proveniente de rochas sedimentares e derivado do petróleo.

Esse gás pode ser encontrado em pequenos espaços dentro de rochas, o que requer a criação de fraturas por meio da pressão hidráulica, num processo conhecido como fraturamento, no interior de seu reservatório na rocha, permitindo que o gás flua e seja coletado.

Nos EUA o gás de xisto supre cerca de um quarto das necessidades de energia e mudou o cenário petrolífero daquele país nos últimos anos, derrubando os preços da commodity no mercado doméstico.

Com este petróleo não convencional os EUA têm a oportunidade de recuperar o nível de produção de petróleo que tinham há anos atrás.

O site Estadão relata que a oferta de gás de xisto é grande nos EUA, a custo relativamente baixo de produção, que permite a venda do gás natural americano a US$ 4 por milhão de BTUs – o menor preço do mercado mundial.

Em 2020, estima-se 31,3 quatrilhões de BTUs – 14% mais, nas previsões da EIA. Atualmente, essa nova fonte responde por 34% do total de gás natural extraído no país.

Recentemente o site Info Escola relatou que o gás de xisto teve grande reconhecimento nos EUA ao suprir cerca de um quarto das necessidades de energia. De fato, o gás de xisto trouxe muitos benefícios para os EUA nos últimos anos, derrubando os preços da commodity no mercado doméstico, destinado principalmente ao aquecimento de casas, geração de eletricidade e aplicações diversas em fábricas.

Outro ponto relatado no site Info Escola, é que no Brasil, as pesquisas iniciais da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) apontaram que as maiores incidências do gás de xisto estão nas bacias de Parecis (em Mato Grosso), Parnaíba (entre Maranhão e Piauí), Recôncavo (na Bahia), Paraná (entre Paraná e Mato Grosso do Sul) e São Francisco (entre Minas Gerais e Bahia).

Segundo matéria do site Uol, no Brasil e mais especificamente no Paraná, pode-se encontrar um grande potencial do gás xisto, extraído através de fraturamento hidráulico. Essa técnica consiste na injeção, em alta pressão, de água e produtos químicos nos poços, para provocar fraturas no subsolo, liberando petróleo e gás do interior da rocha.

Segundo informações do o site Economia Estadão, o preço atual de venda de gás natural, de US$ 4 por milhão de BTUs, é imbatível. A Rússia escoa gás natural para a Alemanha a US$ 11,36. Na Indonésia, custa US$ 17,72. No Brasil, cerca de US$ 18. Os produtores estimam que, ao atingir um volume substancial, o preço rondará US$ 6 por milhão de BTU em dez anos.

A Odebrecht, por exemplo, tem avaliado alguns riscos na construção de hidrelétricas na América Central. Empresas comercializadoras estudam a lógica desse novo mercado, cientes dos riscos aos negócios em curso, e geradoras de energia temem a repetição, no Brasil, dos erros e da desorganização inicial da produção nos EUA. Esse projeto pode ser muito importante para obter lucro, porém o grande mercado encontra-se nos EUA desde a exploração até a venda aos setores usuários do gás natural.

Será que o Brasil está próximo de uma nova fonte que poderá trazer forte lucro para o setor petrolífero do país?

De certa forma sim, porém todo esse processo de extração consiste em administrar de forma responsável e sustentável problemas como a possibilidade de contaminação do solo e de lençóis freáticos por produtos químicos e falha no abastecimento devido ao uso intensivo da água.

Atualmente muito se discute se a possibilidade de extração do gás xisto, altamente estratégica, é um bom instrumento para comercialização e promoção de uma recuperação do país.

A Petrobras, por sua vez, ainda passa por grandes problemas. Porém possui planos de estratégias e segue em busca de novos caminhos, investimentos e oportunidades na extração do gás xisto, que, devido à sua significância para o Brasil e para negócios internacionais, foi compreendido como merecedor de acompanhamento futuro, para benefício teórico e prático.

A perspectiva por um novo rumo ao setor offshore é algo muito esperado pelas empresas, mesmo que haja previsão pessimista no mercado de que isso ainda pode demorar para acontecer.

Esse artigo é uma mera reflexão que procurou trazer o tema de forma simples e direta, porém fundamentada e exemplificada, visando dar alguma contribuição ao leitor da área.


Agradeço pela leitura deste artigo sobre o Posicionamento Logístico de Empresas Offshore Frente a Atual Crise Financeira: O EXEMPLO Petrobras!

Caso queira dar sua opinião, deixe um comentário logo abaixo. E não deixe de seguir nossa fanpage no Facebook  e a comunidade de Estudos Aduaneiros no Google+.

 

 

 

LUIZ EDUARDO BARBOZA DA SILVA é Analista de Suprimentos Sênior (Compras/Importação) da empresa Silimed Indústria de Implantes Ltda. Atuou em diversas outras empresas de grande porte na área de logística comercial e suprimentos. Formado pela Universidade Estácio de Sá em Relações Internacionais, com pós-graduação em Comércio Exterior pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e MBA – Logística Empresarial e Gestão da Cadeia de Suprimentos pela Universidade Federal Fluminense – UFF.


 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FLEURY, Paulo Fernando, WANKE, Peter e FIGUEIREDO, Kleber Fossati. Logística empresarial. São Paulo. Atlas: 2000

BOWERSOX, Donald J., CLOSS, David J. E COPER, MI Bixby. Gestão da cadeia de suprimentos e logística. 2 reimp. Rio de Janeiro. Elsevier: 2007

MOREIRA, Otacílio, TEIXEIRA, Sérgio Silvestre. Cadeia de suprimentos: Um novo modelo de gestão empresarial. 2 ed. São Paulo. Nelpa. 2015

TANURE, Betania. Gestão à Brasileira. 2ª Ed. São Paulo. Atlas: 2005

 

WEBSITES

http://www.petrobras.com.br/pt/: (Petrobras – Acesso em 24/11/2016)

http://marintecsa.com.br/pt/imprensa/releases/853-empresas-do-segmento-naval-e-offshore-continuam-investindo-em-inovacao-e-novas-perspectivas-de-negocios (Marintec – Acesso em 24/11/2016)

http://www.empreendedoresweb.com.br/atual-situacao-economica-do-brasil/ (Empreendedores Web – Acesso em 24/11/2016)

http://lp.empiricus.com.br/petrobras-privatizada/ (LP Empiricus – Acesso em 23/11/2016)

http://www.ilos.com.br/web/logistica-de-apoio-offshore-integracao-e-sincronizacao-da-cadeia-de-atendimento-as-unidades-maritimas/ (Ilos – Acesso em 24/11/2016)

http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-05/entenda-crise-economica (Agência Brasil – Acesso em 25/11/2016)

http://www.planalto.gov.br/CCivil_03/leis/L9478.htm (Planalto.gov – Acesso em 25/11/2016)

http://ex-economista-chefe/noticias/geral, petroleo-em-queda-agrava-crise-da-petrobras,10000016358#cap-10000016356 (Estadão – Acesso em 25/11/2016)

http://www.strategyand.pwc.com/br/home/o-que-fazemos/setores/petroleo/display/melhoria-da-competitividade-offshore (Strategy & – Acesso em 28/11/2016).

http://www.dw.com/pt-br (DW – Acesso em 28/11/2016).

http://jornalggn.com.br/noticia/crise-na-petrobras-ja-atinge-a-industria-naval (Jornal GGN – Acesso em 28/11/2016).

http://www.firjan.com.br (Sistema Firjan – Acesso em 28/11/2016).

http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos (Gazeta do povo – Acesso em 30/11/2016)

http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/3544/MarceloLemos.pdf (Biblioteca Digital – Acesso em 30/11/2016)

http://www.macaeoffshore.com.br/revista/internas.asp?acao=destaque1&edicao=46 (Macaé Offshore – Acesso em 01/12/2016)

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/03/22/economia/1458608039_538616.html (El país – Acesso em 01/12/2016)

http://www.cartacapital.com.br/revista/885/o-brasil-sem-guarda-chuvas (Carta Capital – Acesso em 04/12/2016).

 

NOTAS

[1] As empresas enfrentam um momento grande de incerteza, depois que a Petrobras, responsável por 70% a 80% das encomendas, começou a cortar investimentos. E estão com dificuldade para obter recursos. Os bancos apertaram a liberação de crédito, principalmente para aquelas que têm como sócios construtoras envolvidas na Operação Lava Jato.

Fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/crise-na-petrobras-ja-atinge-a-industria-naval (Acesso em 29/10/2016 às 15h44min)

[2] O preço do petróleo em um patamar próximo a US$ 30 por barril tem influência nos próximos anos não apenas nas estratégias de negócios das petroleiras, mas também em setores intensivos no uso da commodity e seus derivados, bem como em fornecedores da cadeia. O impacto é direto na área de pesquisa e desenvolvimento de energias alternativas, a despeito de o mundo mirar avanços rumo à sustentabilidade propostos na 21.ª Conferência do Clima (COP 21) no ano passado. Beneficiada pelo petróleo desvalorizado, a indústria petroquímica pode ser obrigada a repensar o avanço em direção à produção a partir de fontes renováveis.

Fonte: http://ex-economista-chefe/noticias/geral (Acesso em 29/10/2016 às 18h25min)

[3] LEI Nº 9.478, DE 6 DE AGOSTO DE 1997. Dispõe sobre a política energética nacional, as atividades relativas ao monopólio do petróleo, institui o Conselho Nacional de Política Energética e a Agência Nacional do Petróleo e dá outras providências. Art. 1º As políticas nacionais para o aproveitamento racional das fontes de energia visarão aos seguintes objetivos: I-preservar o interesse nacional; II- promover o desenvolvimento, ampliar o mercado de trabalho e valorizar os recursos energéticos; III- proteger os interesses do consumidor quanto a preço, qualidade e oferta dos produtos; IV- proteger o meio ambiente e promover a conservação de energia; V- garantir o fornecimento de derivados de petróleo em todo o território nacional, nos termos do § 2º do art. 177 da Constituição Federal. Fonte: http://www.planalto.gov.br/CCivil_03/leis (Acesso em 29/10/2016 às 21h44min)

[4] O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reduziu em 30 por cento a sua previsão de investimentos do setor de petróleo e gás no Brasil, entre 2015 e 2018, para 360 bilhões de reais. Novas mudanças ainda podem ocorrer após a publicação dos balanços da Petrobras e de seu plano de negócios. Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a Lava Jato ameaça investimentos de 424 bilhões de reais programados para serem concluídos no Brasil até 2020. Fonte: http://macaeoffshore.com.br/Materias.aspx?id=10319 (Acesso em 30/10/2016 às 12h45min)

[5] O termo competitividade, aplicado tanto às nações como às empresas, está em voga, devido às mudanças no cenário mundial. As ideias de economistas heterodoxos, como Schumpeter, ajudam-nos a compreender o papel da diversificação e da inovação na tentativa das empresas de evitar a concorrência direta. Fonte: http://rae.fgv.br/rae/vol31-num2-1991/conceito-competitividade-empresa-analise-critica (Acesso em 29/12/2016 às 23h50min)

[6] Os motivos que levaram a atual situação econômica do Brasil são muitos, mas alguns deles merecem um destaque especial. O primeiro deles é a total falta de investimentos em infraestrutura, que tem levado o País a perder competitividade tanto no ambiente interno quanto externo. A explicação para esse caos está na questão estratégica. O segundo grande motivo de termos chegado no ponto em que chegamos foi a total falta de planejamento estratégico de longo prazo para nossa economia. O governo vem trabalhando com uma estratégia de reação aos fatos, uma verdadeira operação tapa buraco, onde medidas emergenciais são adotadas para tratar o problema que seria facilmente resolvido se houvesse um planejamento macro. Fonte: http://www.empreendedoresweb.com.br/atual-situacao-economica-do-brasil/ (Acesso em 30/10/2016 às 11h25min)

Save

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *