O mercado de criptomoedas ainda está engatinhando no Brasil. São poucas pessoas jurídicas e pessoas físicas que estão trabalhando com esse novo meio de pagamento.

Atualmente a maior parte se utiliza das criptomoedas como forma de investimento tendo em vista as expressivas valorizações desse meio de pagamento.

A utilização de criptomoedas no comércio exterior traz grandes vantagens para as empresas, dentre elas a redução das formalidades para fechamento de câmbio, rapidez nas negociações, redução de custos bancários e a redução do valor dos produtos adquiridos, pois estamos falando de uma moeda universal, não pertencente a nenhum governo.

Os órgãos responsáveis pelo comércio exterior brasileiro ainda nem cogitaram trabalhar o tema, pois não se verifica em nenhum campo da Declaração Única de Exportação (DU-E) e nem da Declaração de Importação (DI) a possibilidade de se informar como moeda de pagamento uma criptomoeda.

Continue lendo esse artigo e descubra uma nova maneira de se operar no comércio exterior. Afinal, os primeiros a adotar uma nova tecnologia sempre saem na frente.

 

1 – INTRODUÇÃO AO MERCADO DE CRIPTOMOEDAS

 

A criptomoeda (ou criptodinheiro) é um sistema de pagamento global que se utiliza de criptografia para assegurar transações e para controlar a criação de novas unidades da moeda. Fonte da imagem: Pixabay.

 

Hodiernamente, temos aproximadamente 900 tipos de moedas digitais sendo comercializadas no mundo. Aqui no Brasil apenas três são comercializadas. Mas isso não impede de você realizar suas operações com criptomoedas lá fora.

É muito importante se preocupar com segurança nesse tipo de transação, afinal você acaba não trabalhando mais com um banco, que é o responsável por seu dinheiro. Quando você trabalha com criptomoedas é você mesmo o responsável pela guarda e armazenamento de suas moedas digitais.

Além disso, existem muitas informações falsas sobre criptomoedas circulando pela internet. Logo, o risco de se perder dinheiro é muito grande se você não trabalhar com fontes confiáveis.

Mas afinal, o que são criptomoedas?

A criptomoeda (ou criptodinheiro) é um sistema de pagamento global que se utiliza de criptografia para assegurar transações e para controlar a criação de novas unidades da moeda. Criptomoedas são um subconjunto das moedas digitais e usam um controle descentralizado, ao contrário de sistemas bancários centralizados. O controle descentralizado está relacionado ao uso do blockchain (Banco de transações do Bitcoin) no papel de livro de registros. [1].

 

2 – BREVE HISTÓRICO DAS CRIPTOMOEDAS

 

Em 2009, surgiu o Bitcoin, a primeira moeda digital descentralizada, de fácil uso para as pessoas e que se utiliza de protocolos de grande segurança (criptografia). Fonte da imagem: Pixabay.

 

No final do século passado, bem antes do surgimento do famoso Bitcoin, algumas tentativas de criação de moedas digitais surgiram. Mas elas eram ligadas a órgãos centrais de governos e não eram criptografadas, por isso estavam sujeitas a ataques de hackers.

Foi para solucionar esse problema de falta de segurança que, em 2009, surgiu o Bitcoin, a primeira moeda digital descentralizada, de fácil uso para as pessoas e que se utiliza de protocolos de grande segurança (criptografia) para essas transferências entre um ponto e outro da rede.

Ou seja, sem a necessidade de circulação física ou sem a intermediação de bancos.

Desde então, diversas outras criptomoedas foram sendo desenvolvidas.

Vale mencionar que o Bitcoin possui deficiências em sua estrutura, mas que são sanadas por outras criptomoedas mais modernas. Assim, não necessariamente o Bitcoin é a melhor moeda para se operar no comércio exterior, vai depender muito do tipo de negociação envolvido.

 

3 – QUAIS AS VANTAGENS DAS CRIPTOMOEDAS

 

Ao se utilizar de criptomoedas você reduz seus custos, pois suas taxas são bem menores do que aquelas cobradas por bancos. Fonte da imagem: Pexels.

 

Imagine que você queira enviar dinheiro para uma outra parte do mundo. Normalmente você se utilizaria do sistema bancário para isso, mas dependeria de bancos e do pagamento de diversas taxas e despesas.

Para transferir dinheiro de uma pessoa para outra aqui no Brasil normalmente você se utiliza de um TED (transferência eletrônica disponível), mas depende de um banco, que também te cobra taxas.

Com as criptomoedas tudo isso é diferente, porque você pode enviar o dinheiro digital diretamente para essa outra pessoa sem a existência de intermediários.

Imagine a economia realizada numa operação de comércio exterior com a eliminação das taxas do banco estrangeiro e do banco sediado no seu País. Sem contar a eliminação, em muitos casos, de um terceiro banco intermediário, o banco avisador. E sem contar também com as despesas de conversão de sua moeda para a moeda estrangeira em que as mercadorias ou serviços foram negociados. O fluxo de pagamentos atual do comércio exterior será melhor detalhado no item 4 abaixo.

Enfim, ao se utilizar de criptomoedas você reduz seus custos, pois suas taxas são bem menores do que aquelas cobradas por bancos.

Perceba que o mercado de moedas digitais não é regulado por nenhum banco, país ou órgão regulador. Isso impede que haja interferências governamentais ou de qualquer outra autoridade central, tendo em vista que o controle é descentralizado.

Porém, é importante destacar que a disponibilidade de eventual renda decorrente da utilização de criptomoedas não dispensa, de forma alguma, o recolhimento dos tributos devidos. Inclusive a Receita Federal exige que os possuidores declarem suas posses de criptomoedas na declaração do Imposto de Renda.

Outras vantagens que podemos citar para o uso de criptomoedas são:

 

1) Você pode trocar suas criptomoedas em plataformas onlines de troca, espécie de casas de câmbio virtuais, também chamadas de Exchanges;
2) Você pode utilizar suas criptomoedas para adquirir produtos ou serviços de empresas online que aceitam essa forma de pagamento;
3) Você pode realizar suas operações entre empresas e empresas, entre empresas e pessoas, e entre pessoas e pessoas;
4) As operações com criptomoedas – diferente do fluxo cambial internacional, que depende dos horários de funcionamento dos mercados financeiros – podem ocorrer a qualquer hora e de qualquer lugar do mundo;
5) São bem menos suscetíveis de apreensões decorrentes de ações judiciais [1];
6) Apesar da grande transparência das operações, já que todos podem visualizar as transações, o sistema prevê uma boa privacidade, porque você somente enxerga as contas dos usuários que estão operando. Ademais, algumas criptomoedas podem permitir grande anonimato de seu possuidor, que no caso de criptomoedas, se confunde com a figura do proprietário, pois quem detém a chave, detém a propriedade;
7) A maior parte das criptomoedas são planejadas para diminuir a produção de novas moedas, definindo assim um número máximo de moedas que entrarão em circulação. Isso imita a escassez (e valor) de metais preciosos e evita a hiperinflação [1];
8) Pela limitação de criptomoedas em circulação, e por não ser possível “emprestar” sua moeda para terceiros (como espertamente fazem os bancos), não é possível que um banco pegue sua criptomoeda e saia emprestando créditos para várias pessoas, inclusive para aquelas que não conseguem pagar, gerando assim bolhas artificiais (como aconteceu em 2008 na Crise do Subprime nos Estados Unidos, onde muitas pessoas perderam muito dinheiro). Ou seja, afastando os bancos do negócio, você não corre o risco de perder dinheiro se um banco mal administrado quebrar;
9) Já existem caixas eletrônicos de Bitcoins em alguns lugares do mundo que permitem que você converta e saque seu Bitcoin em dinheiro, inclusive na América Latina. É uma grande facilidade para quem estiver viajando. Você pode tanto sacar, quanto comprar Bitcoins (basta inserir dinheiro na máquina);
10) Se você tiver R$ 500.000,00 em sua conta bancária e tentar sacar em dinheiro, você não vai conseguir. Vai precisar pedir para o banco, agendar, aguardar liberação, etc. Isso já não acontece com as criptomoedas, pois o dinheiro é seu, você leva para onde quiser, envia para o local do mundo que quiser e negocia mercadorias e serviços no exterior como quiser (basta que a outra parte também opere com a mesma criptomoeda escolhida e use a Exchange adequada). Em resumo, enquanto os bancos têm o controle de seu dinheiro, com as criptomoedas é diferente, porque o controle pertence à rede, onde ninguém detém seu domínio. Enfim, não há intermediários;
11) Suas criptomoedas permitem que você realize compras em diversos sites estrangeiros sem o uso de cartão de crédito;
12) Por outro lado, caso alguém queira vincular um Bitcoin a um cartão de débito pré-pago (algumas bandeiras conhecidas estão permitindo), isso já é possível, e assim o usuário pode realizar compras em qualquer lugar do mundo com seu cartão de débito, que será debitado na sua conta de Bitcoins;
13) Suas criptomoedas podem ser utilizadas como forma de investimento, pois seu potencial de valorização é altíssimo. Idem no caso de desvalorização. Então muito cuidado. Mas este não é o objetivo deste artigo, que busca oferecer mais um meio de negociação internacional para a aquisição de mercadorias ou serviços; e
14) Nenhum governo, organismo internacional ou empresa pode confiscar a sua conta ou impedir você de acessar a rede, ou seja, o sistema pode ser utilizado por qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo com acesso à internet.

 

Em relação ao Bitcoin, vale mencionar que ele já sofreu grandes valorizações e desvalorizações no passado recente, mas ultimamente ele tem diminuído sua volatilidade.

Outras criptomoedas, por outro lado, podem vir a sofrer grandes oscilações, especialmente as que estão sendo criadas.

 

4 – COMO FUNCIONA O FLUXO MONETÁRIO NUMA OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR

 

   Fluxo de comércio exterior baseado na obra do mestre Rodrigo Luz [2].

 

Para entendermos de forma simplificada o fluxo de comércio exterior, trazemos abaixo um fluxo esquematizado baseado em modelo do mestre Rodrigo Luz [2]:

 

1 – O importador escolhe uma mercadoria e faz uma proposta para o exportador.
2 – O exportador emite uma fatura pro forma, caso a proposta seja aceita, o importador assina e devolve a proposta, vinculando as partes.
3 – Antes de embarcar a mercadoria é preciso, em regra, pedir uma licença de importação (LI) para o órgão público anuente.
4 – Caso a mercadoria não seja proibida e preencha determinados requisitos, o órgão anuente defere a LI. O importador então avisa o exportador que ele já pode embarcar a mercadoria.
5 – O exportador celebra um contrato de transporte (frete) com o transportador e embarca a mercadoria no veículo ajustado (avião, embarcação, outros).
6 – O transportador, para formalizar a entrega da carga, emite o conhecimento de carga (formalização do contrato), que é um título de crédito, e entrega para o exportador.
7 – O transportador então se dirige para o Brasil. Mas somente pode entregar mercadorias estrangeiras em Zona Primária (portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados), em um terminal de cargas (recinto alfandegado pela RFB). A mercadoria então é descarregada e passa a ficar sob a custódia do depositário.
7 – Paralelamente, o exportador vai enviar a documentação para o importador. Mas isso, em regra, não ocorre diretamente, pois ele precisa de uma garantia de que receberá o pagamento do importador. Então se utiliza de uma rede bancária para assegurar o recebimento. Deste modo, a documentação é entregue para um banco no exterior contratado pelo exportador, condicionando a entrega da documentação [3] ao pagamento ou aceite na letra de câmbio. Esta documentação é composta do conhecimento de carga, fatura comercial e outros documentos relativos à mercadoria e contratação.
8 – O banco no exterior envia a documentação para o banco brasileiro, também condicionando a entrega da documentação mediante o pagamento ou o aceite na letra de câmbio.
9 – O banco brasileiro chama o importador para efetuar o pagamento (se pagamento à vista¹) ou para apor o aceite na letra de câmbio (se pagamento a prazo).
10 – O importador efetua o pagamento de duas formas:
a) diretamente para o banco do exterior, com recursos próprios, por meio de uma conta corrente que ele possui no exterior; ou
b) com dinheiro a ser adquirido junto ao banco cobrador. Neste caso, que é o mais usual, o importador e o banco brasileiro liquidam um contrato de câmbio (contrato de compra e venda de moeda estrangeira). O importador entrega ao banco os “reais” equivalentes ao valor da mercadoria (mais taxas bancárias).
Em troca, o importador recebe toda documentação, que será necessária para registrar a DI e retirar a mercadoria na alfândega.
11 – O banco brasileiro disponibiliza o valor recebido, em moeda estrangeira, ao banco do exterior. Normalmente mediante uma conta corrente que ele possui neste banco no exterior.
12 – O banco do exterior disponibiliza o valor recebido, em moeda estrangeira, ao exportador.
13 – Logo após receber a documentação (item 10), o importador já pode registrar a declaração de importação (DI), anexar os documentos instrutivos na DI. Os tributos devidos são recolhidos pelo importador mediante débito automático (cadastrado no Siscomex).
A RFB realiza a conferência aduaneira (quando houver) e, se estiver tudo certo, desembaraça a mercadoria.
14 – Após o desembaraço, a mercadoria pode ser retirada pelo importador junto ao depositário, mediante o pagamento das taxas de armazenagem.

 

5 – COMO TER SEGURANÇA EM OPERAÇÕES COM CRIPTOMOEDAS

 

Para operar com segurança com criptomoedas você precisa conhecer os riscos e saber fazer backups de chaves privadas. Fonte da imagem: Pexels.

 

Para garantir uma operação com criptomoedas você vai precisar [4]:

 

1) Saber como fazer backups de chaves privadas;
2) Utilizar apenas exchanges conhecidas e de boa reputação para trocar por dinheiro;
3) Apurar se a criptomoeda não é falsa ou uma cópia;
4) Conhecer os riscos de segurança, os quais podem ser explicados de forma simplificada, conforme abaixo.

 

 

5.1) Riscos de Segurança [4]

A importância de saber fazer um bom backup de chaves privadas. Ou melhor, “backups”, pois não há limite de backups para proteger suas criptomoedas. Fonte da imagem: Pixabay.

 

Risco de Mercado – as criptomoedas podem sofrer mudanças bruscas de cotação, pois elas se regem pela lei da oferta e da procura. Não há um órgão regulando suas cotações.

Risco de Sistema – como não há nenhuma autoridade garantindo o sistema, num primeiro momento ele pode parecer vulnerável. Mas, na verdade, a segurança dele vem de seu conjunto de participantes, que trabalham juntos pelo segurança do sistema.

Risco de Usabilidade – dos três, esse é o de maior risco, pois é comum a pessoa esquecer a senha, perda de pendrive, danificação de seu notebook, formatação de HD e outros. Daí a importância de saber fazer um bom backup de chaves privadas. Ou melhor, “backups”, pois não há limite de backups para proteger suas criptomoedas.

 

5.2) Segurança dos sistemas de criptomoedas

            Os usuários estão todos interligados entre si por meio de uma rede pier-to-pier (P2P). Fonte da imagem: Pixabay.

 

A segurança, integridade e balanço dos registros de sistemas de criptomoedas são mantidos por uma comunidade de mineradores: membros do público em geral usando seus computadores para ajudar a validar e temporizar transações, adicionando-as ao registro (blockchain) de acordo com um esquema definido de temporização. A segurança dos registros de criptomoedas baseia-se na suposição de que a maioria dos mineradores estão mantendo o arquivo de modo honesto, tendo um incentivo financeiro para isso [1].

Esses usuários estão todos interligados entre si por meio de uma rede pier-to-pier (P2P). Não existe um comando central gerindo o sistema. Por isso, todos os registros estão escriturados no Blockchain, uma espécie de livro contábil digital.

Como é baseado em uma rede descentralizada, não há um servidor central controlando as operações ou mesmo um ponto único de falha. As criptomoedas são protocolos, um conjunto de regras pelas quais os computadores ligados à rede P2P se comunicam. E ninguém é proprietário desses protocolos, trazendo ainda mais confiabilidade ao sistema.

E depois que você adquire a criptomoeda, a rede é consultada para saber se aquela negociação foi legítima.

Assim, é importante destacar que as criptomoedas não são um esquema de pirâmide, porque, conforme visto acima, não tem ninguém operando o sistema, nem um benefício para os primeiros que comprarem as criptomoedas (salvo eventual valorização decorrente da lei da oferta e da demanda). Além disso, quem tem a posse da moeda detém sua propriedade e o valor de uma unidade de criptomoeda será equivalente para todos demais participantes do mercado.

Destarte, o simples fato de as criptomoedas possuírem grande volatilidade em suas cotações não as transforma em uma bolha e nem um esquema de pirâmide.

Enfim, diferente do sistema financeiro tradicional em que a confiança ocorre de forma centralizada e fechada, dependente da reputação de algumas empresas ou pessoas, no sistema de criptomoedas a confiança é dada pela força computacional que incentiva a honestidade dos milhares de participantes, onde um participante monitora a honestidade do outro, removendo assim pontos centrais ou únicos de falha, tornando o sistema muito robusto e seguro.

Além disso, as criptomoedas trabalham com código aberto, permitindo que todos participem de suas melhorias de funcionalidade e segurança. Ou seja, todos tem voz no sistema de criptomoedas.

 

5.3) Segurança no armazenamento

É importante que você nunca forneça sua chave privada para terceiros. Pois, quem tiver acesso a essa chave poderá acessar sua carteira e realizar transações com suas criptomoedas. Fonte da imagem: Pixabay.

 

Vimos acima que a segurança da aquisição e venda de criptomoedas. Mas também é importante que você se preocupe com a segurança de armazenamento.

Uma dessas medidas de segurança seria armazenar suas criptomoedas em uma wallet, que poderia ser comparada à sua carteira de dinheiro, porém, no caso, seria onde você armazenaria suas moedas digitais, uma espécie de conta bancária para depositar suas criptomoedas.

Após se cadastrar nessa wallet, você poderá realizar pagamentos na internet sem o uso de cartão de crédito, bastará que seu celular leia o QR Code apresentado.

É importante que você nunca forneça sua chave privada para terceiros. Pois, quem tiver acesso a essa chave poderá acessar sua carteira e realizar transações com suas criptomoedas.

Tenha também muito cuidado com o wallet escolhido, pois quem detém os dados da chave privada detém o poder de negociar suas criptomoedas.

 

 5.4) Segurança contra phishing

Phishing é uma maneira desonesta que cibercriminosos usam para enganar você a revelar informações pessoais. Fonte da imagem: Pixabay.

 

Segundo a companhia Avast Software s.r.o. [5], phishing é uma maneira desonesta que cibercriminosos usam para enganar você a revelar informações pessoais, como senhas ou cartão de crédito, CPF e número de contas bancárias. Eles fazem isso enviando e-mails falsos ou direcionando você a websites falsos.

Ainda segundo a Avast, as mensagens de Phishing parecem ser enviados por organizações legítimas como PayPal, UPS, uma agência do governo ou seu banco; entretanto, elas são em fato falsas mensagens.

E tais e-mails pedem de forma educada por atualizações, validação ou confirmação de informações da sua conta, sempre dizendo que houve algum problema. Você é então redirecionado a um site falso e enganado a apresentar informações sobre a sua conta, que podem resultar em roubos de identidade.

Enfim, você recebe mensagens pedindo para você revelar informações pessoais, geralmente via e-mail ou website.

Porém existem extensões para o Google Chrome que te avisam quando alguém estiver tentando te enviar para um site malicioso. Um exemplo específico para proteger a criptomoeda Ethereum é o metamask.

 

 6 – DE ONDE VEM O DINHEIRO DA REDE

 

O dinheiro não aparece no mercado do nada e sim a cada nova chave única que é gerada. Esse cálculo é chamado de mineração de Bitcoin. Fonte da imagem: Pexels.

 

Mas de onde vem o dinheiro da rede? Qualquer um pode fabricar o dinheiro?

Gus Fune nos explica de forma didática de onde vem o dinheiro do Bitcoin [6]:

 

O dinheiro não aparece no mercado do nada e sim a cada nova chave única que é gerada. Esse cálculo é chamado de mineração de Bitcoin, pois uma vez encontrada uma chave única, quem a descobriu embolsa a moeda.
Gus explica que o processo se torna mais complexo a cada nova chave encontrada e a cada hora que passa menos moedas entram no mercado. Isso vai acontecer até chegar no limite de 21 milhões de Bitcoins, o que está previsto para acontecer depois de 2100.
Hoje existem mais de 15 milhões de Bitcoins em circulação.
Claro que toda essa quantidade de dinheiro virtual não vale se não existe um entendimento de valor por trás do Bitcoin.
Por conta da segurança da plataforma e do interesse de muitas pessoas em realizar transações fora dos sistemas tradicionais e de forma anônima, o Bitcoin tem um valor, que pode ser visualizado melhor nas casas de câmbio.
É possível transacionar frações de um Bitcoin e, assim, negociar até oito casas decimais. Mas a fração mínima de movimentação vai depender das regras da exchange que você estiver usando, que pode restringir para operações de, por exemplo, no mínimo 0,001. Ou, ainda, frações menores podem ser desestimuladas devido às taxas cobradas.

 

7 – COMO OPERACIONALIZAR A UTILIZAÇÃO DAS CRIPTOMOEDAS

 

        Existem empresas especializadas que realizam as operações com as criptomoedas: as exchanges. Fonte da imagem: Pexels.

 

As criptomoedas não são negociadas nas corretoras de valores tradicionais, existem empresas especializadas que realizam esse tipo de operação: as exchanges.

Mas é importante que você tenha muita atenção na hora de contratar, pois operadores desonestos podem te vender uma criptomoeda já negociada com outra pessoa (e duas pessoas não podem possuir a mesma moeda digital).

Normalmente, uma exchange trabalha com poucas criptomoedas específicas.

No Brasil, há poucas empresas atuando nesse setor, então será possível adquirir somente alguns tipos de criptomoedas. Atualmente somente será possível negociar três moedas aqui no Brasil.

Além disso, importante salientar que as taxas de negociação aqui no Brasil são bem maiores do que aquelas praticadas em exchanges no exterior. Porém, elas não aceitam cartões de crédito emitidos no Brasil para troca por criptomoedas.

Você também deve ter muito cuidado ao deixar o controle de suas moedas com uma corretora especializada, pois, como dissemos, quem tem a posse dos dados criptografados detém a propriedade da criptomoeda. Então uma corretora com baixa segurança contra hackers, uma corretora não confiável, ou uma corretora que falir, pode gerar enormes prejuízos para seus clientes.

 

8 – ALGUMAS IMPORTANTES CRIPTOMOEDAS

 

O Ethereum é uma plataforma descentralizada capaz de executar contratos inteligentes e aplicações descentralizadas usando a tecnologia blockchain. Fonte da imagem: The Merkle.

 

Como já dissemos, existem cerca de 900 criptomoedas no mundo, cada uma com suas peculiaridades. Vamos comentar apenas algumas delas aqui.

 

8.1) O Bitcoin (BTC)

O Bitcoin, conforme já vimos aqui, é uma moeda digital do tipo criptomoeda descentralizada, e também um sistema econômico alternativo. Ela é considerada a primeira moeda digital mundial descentralizada, e tida como responsável pelo ressurgimento do sistema bancário livre. [7]

 

8.2) Altcoins

Segundo o site “Criptomoedas Fácil”, as principais criptomoedas alternativas ao Bitcoin, também conhecidas como altcoins, estão oferecendo algo aparentemente diferente, enquanto o resto é apenas cópia do Bitcoin. No entanto, existem algumas diferenças entre as principais criptomoedas, caso contrário não haveria características importantes que chamassem atenção dos investidores e traders.

Segue um breve resumo do referido site sobre algumas das principais criptomoedas [8]:

 

8.2.1) Litecoin (LTC)

Litecoin é considerado apenas uma cópia do Bitcoin, sendo a primeira criptomoeda ao usar o código “original” da rede bitcoin. O Litecoin oferece um algoritmo de mineração diferente e transações mais rápidas.

Curiosamente, existem algumas semelhanças de desenvolvimento entre bitcoin e litecoin. Segregated Witness, por exemplo, pode muito bem ser ativado na rede litecoin antes de ser ativado na própria rede do Bitcoin.

Litecoin é aceito como uma solução de pagamento em vários lugares, embora não esteja nem perto do nível de aceitação de bitcoin.

 

8.2.2) Dash (DASH)

Uma das principais coisas que Dash faz bem é fornecer aos seus usuários privacidade adicional ao concluir as transações.

A rede da Dash dispõe de Masternodes, além de incentivar os usuários a não gastar seu saldo em suas carteiras. Além disso, a Dash está fazendo bastante impacto na indústria principalmente em pontos de venda por meio de parcerias estratégicas.

 

8.2.3) Monero (XMR)

Quando se trata em encontrar uma criptomoeda que realize transações anônimas, temos que pensar muito além do bitcoin.

Monero hoje lidera essa corrida pelo anonimato, isso devido a alguns conceitos inovadores. A Monero também foi abraçada pelos mercados da darknet porque fornece privacidade e anonimato que não é possível encontrar no bitcoin.

 

8.2.4) Ripple (XRP)

Embora muitos tenham opiniões bastante diferentes sobre Ripple, não se pode ignorar os benefícios que ela traz para o ecossistema de redes decentralizadas. Ao contrário de outras criptomoedas, o foco principal da Ripple não é ser uma moeda para “especulação”, mas sim em utilidade transacional entre países e grandes instituições financeiras.

Dezenas de bancos ao redor do mundo que visam melhorar suas transações e outras operações do dia-a-dia estão olhando para Ripple.

 

8.2.5) O Ethereum (ETH) [9]

O Ethereum é uma plataforma descentralizada capaz de executar contratos inteligentes e aplicações descentralizadas usando a tecnologia blockchain. São aplicações que funcionam exatamente como programadas sem qualquer possibilidade de censura, fraude ou interferência de terceiros, isso porque o contrato é imutável.

O Ethereum tem a proposta de trazer à sociedade o uso dos smart contracts (contratos inteligentes). Imagine afretar uma embarcação sem precisar pegar em uma folha de papel, nem mesmo ir ao cartório reconhecer firma. Ou imagine assinar um contrato de arrendamento com uma empresa situada no exterior sem a necessidade de passar por consulados e outras burocracias. É essa a ideia por trás da Ethereum, a moeda que foi criada em 2014 com algumas propostas de melhorias em relação ao Bitcoin.

O Ethereum utiliza a tecnologia blockchain que é capaz de armazenar registros de transações num arquivo que é uma espécie de planilha pública, distribuída e de segurança garantida por criptografia. As transações publicadas no blockchain são verificadas e validadas pelos próprios usuários num processo conhecido como mineração que ocorre via execução de códigos de natureza criptográfica, sendo assim, o sistema pode funcionar num protocolo distribuído recompensando seus usuários pelo poder computacional empregado por eles. Contratos inteligentes “assinados” no blockchain do Ethereum e a mineração são pagos em ether, o combustível da plataforma.

O princípio é que toda transação, registro, execução de código distribuído, assinatura de contrato digital, ou qualquer outra aplicação que seja executada na rede do Ethereum seja paga em ether, sendo assim, o Ethereum pode ser considerado um grande computador (de escala planetária) no qual usuários pagam pela quantidade de recurso utilizado.

Assim, o Ethereum surgiu com uma proposta capaz de solucionar diversos problemas do cotidiano: votações, nomes de domínio, transações financeiras, crowdfunding, governança de empresas e estados, contratos e acordos de qualquer tipo e até mesmo propriedade intelectual.

Porém, é importante esclarecermos que devido ao conceito por trás do Ethereum, não é possível conseguir ether em trocas diretas por moedas reais. O modelo do Ethereum visa favorecer a circulação de ethers como forma de pagamento pelo uso da própria rede.

 

9 – CONCLUSÃO

 

Estamos diante de uma inovação tecnológica sem precedentes, que revolucionará diversos setores da economia, dentre eles o de comércio exterior. Fonte da imagem: Pixabay.

 

No sistema financeiro atual, as pessoas se utilizam de dinheiro apenas para pequenas transações. Quando houver necessidade de um volume maior de dinheiro, especialmente no comércio exterior, o interessado deverá fazer uso desse sistema financeiro. Porém, com as criptomoedas esse conceito é rompido, porque as criptomoedas além de serem equivalentes ao dinheiro (mesmo digital) também são um sistema de pagamentos altamente eficiente, rápido e seguro.

Não havendo intermediários nas transações com criptomoedas, o nível de privacidade das transações de comércio exterior são bem maiores do que numa transação tradicional.

Estamos diante de uma inovação tecnológica sem precedentes, que revolucionará diversos setores da economia, dentre eles o de comércio exterior. Esse novo sistema é uma oportunidade única para aquelas empresas de comércio exterior que querem sair na frente.

Se quiser saber mais informações sobre criptomoedas, como abrir sua conta, como escolher empresas confiáveis (no Brasil e no exterior), como fechar negociações internacionais com criptomoedas, ou mesmo adquirir e vender suas criptomoedas em exchanges situados no exterior (com mais variedade de moedas e taxas mais baixas), ou conhecer as melhores wallets para armazenar suas criptomoedas com segurança, então entre em contato conosco << clicando aqui >>.

 


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Mário Sérgio Guimarães é Advogado. Administrador do Site Estudos Aduaneiros. Especialista em Classificação Fiscal de Mercadorias e utilização de Criptomoedas no Comércio Exterior. Coautor no Livro de Direito Aduaneiro em homenagem ao Professor José Lence Carlucci sobre o tema Classificação Fiscal.

Agradecemos por nos acompanhar. Até o próximo artigo!


REFERÊNCIAS

[1] Wikipédia –  A enciclopedia livre. Acesso em << https://pt.wikipedia.org/wiki/Criptomoeda >>

[2] LUZ, Rodrigo. Comércio Internacional e Legislação Aduaneira. 6.ed. São Paulo: Método, 2015.

[3] Somente quando a modalidade de pagamento escolhida for a cobrança.

[4] Acesso em 01/10/2017: << http://www.infomoney.com.br/blogs/cambio/moeda-na-era-digital/post/5647890/entendendo-riscos-seguranca-bitcoin >>

[5] Acesso em 01/10/2017: << https://www.avast.com/pt-br/c-phishing >>

[6] Acesso em 01/10/2017: << https://log.epicawesome.co/bitcoins-para-leigos-4e0f03e2beff >>

[7] Acesso em 01/10/2017: << https://pt.wikipedia.org/wiki/Bitcoin >>

[8] Acesso em 01/10/2017: << https://www.criptomoedasfacil.com/ >>

[9] Acesso em 01/10/2017: << https://pt.wikipedia.org/wiki/Ethereum >>

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